O Palazzo Ducale di Mantova é menos um palácio do que uma cidade murada em si mesma. Durante quase quatro séculos foi a sede dos Gonzaga, a dinastia que governou Mântua de 1328 a 1707 e que, ao longo desse tempo, entrelaçou castelos, pátios, igrejas e apartamentos num único complexo com mais de quinhentos quartos, sete jardins e oito pátios — um dos maiores palácios da Europa. Percorrê-lo é atravessar as ambições de toda uma casa governante, sala pintada após sala pintada.
No seu coração, dentro do Castello di San Giorgio rodeado de fossos, está a razão pela qual a maioria dos viajantes vem: a Camera degli Sposi. Entre 1465 e 1474, Andrea Mantegna cobriu as suas paredes e o teto para Ludovico III Gonzaga, e o que ali realizou mudou a pintura europeia. A corte reúne-se ao longo das paredes em grupos serenos, quase fotográficos, enquanto por cima o teto se abre num óculo pintado — a primeira ilusão do género plenamente convincente — onde figuras alegres e um pavão se debruçam sobre uma balaustrada contra um céu luminoso, como se o telhado simplesmente se tivesse dissolvido.
Em torno dessa única e famosa sala desenrola-se o resto da história. A medieval Corte Vecchia esconde a batalha arturiana inacabada de Pisanello e os studioli de Isabella d'Este, a mais célebre mecenas das artes do Renascimento. Seguem-se a Corte Nuova de Giulio Romano, a basílica palatina de Santa Barbara, a Sala dos Espelhos e a Sala dos Rios, cada uma um capítulo na longa representação do poder dos Gonzaga. A cidade de Mântua que a rodeia, cingida por três lagos, é Património Mundial da UNESCO desde 2008.
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